VAI TOMAR O ÚLTIMO LUGAR
Lucas 14:10-14
MINISTRAÇÃO DE UM PADRE (ANTONIO VIEIRA) QUE APESAR DE NÃO TER CONHECIDO APRENDI A AMAR SEUS SERMÕES.
“Não há vício mais descortês que a soberba, nem mais descomedido que a ambição”
Nesta parábola o evangelista não diz o lugar que deram na mesa para que Jesus se assentasse, mas diz, que os convidados sem cortesia nem polimento, todos procuravam e ainda contendiam sobre os primeiros lugares. Esta foi a ocasião e este o ponto da doutrina que Cristo passou a lhes ensinar, e, por isso era ela moral, e juntamente política.
O Senhor Deus fez este mundo em forma circular, para evitar a contenda dos lugares, não sendo por isso justo que desigualasse o lugar os que tinham sido criados por ele. Mas, como a soberba e a ambição perverteu a igualdade desta ordem com outra ordem desordenada de primeiros, segundos, terceiros e até últimos lugares, e os fariseus na mesa lutassem pelos primeiros, este foi o vício que o Senhor observou nos seus observadores.
Na eleição dos lugares notava-os o Senhor de pouco juízo, e na maneira de cada um se preferir e antepor aos outros, de pouca cortesia. E estes dois desprimores (pouco juízo e pouca cortesia), nascidos ambos do mesmo vício da ambição e soberba, repreendeu e emendou o soberano Mestre com um só documento: “Quando fores convidado à casa e à mesa alheia, não deveis tomar os primeiros lugares, senão o último”.
Todo homem neste mundo deseja melhorar de lugar. E nenhum se acha em tal posto, por mais alto e sossegado que seja, que não procure subir a outro melhor. E esta inclinação própria da natureza racional, age como se fora razão e não apetite.
Primeiro nasceu no céu com os primeiros racionais (inteligentes) que são os anjos, e depois propagou-se na terra com os segundos, que somos nós os homens.
*Lúcifer no céu, tendo a suprema cadeira entre as hierarquias angelicais, não aquietou-se naquele lugar, e quis igualar o seu com o do mesmo Deus (Isaías 14:13).
*Adão na terra, tendo o absoluto domínio de todas as criaturas dos três elementos, não coube nem se contentou com um império tão vasto, e em uma corte tão deliciosa como o Paraíso, também quis melhorar de lugar: “E sereis deuses” (Gênesis 3:5).
E que filho há deste primeiro pai (Adão), de quem todos nascemos, que não herdasse dele a altivez sempre inquieta desta mesma paixão?
*Os discípulos de Jesus, antes de descer sobre eles o Espírito Santo, contendiam sobre qual era o maior (Lucas 22:24). A ocasião, porém e o motivo desta contenda é digna de admiração. E qual foi? O Senhor Jesus acabava de lhes revelar que ia a Jerusalém onde morreria, e no mesmo ponto começaram todos a contender, porque logo aspirou cada um suceder a Jesus no seu lugar.
Tiveram o atrevimento doze pescadores para quererem suceder ao filho de Deus, e lhe pleitear o lugar estando ele ainda vivo.
O senso comum admite que no mundo há lugares, mas nega que haja lugar melhor. E por quê? Porque a melhoria não está no lugar, senão na pessoa que o ocupa. Por mais alto ou mais baixo que seja o lugar que ocupamos, se somos bons, será o nosso lugar bom, e se somos melhor, será melhor; mas se somos maus e piores, também será mau e mais que mau esse lugar.
Diz Cristo, Senhor nosso, que “sobre a cadeira de Moisés se assentaram os escribas e fariseus” (Mateus 23:2). E quem foi Moisés, e quem eram os escribas e fariseus?
Moisés foi o maior santo de seu tempo, e os escribas e fariseus eram os mais pecadores do seu. Pois, se estavam assentados na mesma cadeira de Moisés, por que não eram como ele? Porque os homens são os que dão a bondade ou melhoria aos lugares, e não os lugares aos homens. Se formos bons, ainda que a cadeira seja dos escribas e fariseus, será bom o nosso lugar; e se formos maus, ainda que a cadeira seja a de Moisés, nem por isso o nosso lugar será bom.
Que melhor lugar existia que o céu e o paraíso?
E nem o céu fêz Lúcifer bom, nem o paraíso fez bom a Adão. Jeremias, ao contrário, tão bom era no cárcere como no púlpito, e Jó tão bom no mulador (monturo, esterqueira) como no seu palácio. Sem dúvidas o melhor lugar no mar era estar no navio do que o ventre do peixe, e Jonas foi melhor mais no ventre do que no navio.
Assim entendemos que os lugares, por si mesmos, não são bons nem maus, nem há lugar melhor ou pior. O lugar que tem hoje Matias não foi o mesmo de Judas? Foi dado a ele o mesmo lugar, e não outro. Se formos como Judas, não nos há de fazer bom o lugar de Matias, e se formos como Matias, não nos há de fazer mau o lugar de Judas. Se queremos o melhor lugar de todos façamos por ser o melhor de todos e logo o nosso lugar, qualquer que seja, será também o melhor.
Mas todos querem melhorar de lugar, e ninguém quer melhorar de vida.
Conclusão a que chegamos: “Não há lugares melhores nem piores, para que ninguém se descontente do seu, senão de si mesmo.”
Acréscimos meus:
Nós temos feito o mesmo que os fariseus no nosso dia-a-dia?
Temos procurado os primeiros e “melhores” lugares?
Temos inquietaddo nossa alma nesta busca?
Quando ouço as famosas ministrações sobre prosperidade, sobre ser “cabeça e não cauda”, sobre ter o “melhor” desta terra, fico pensando se não estamos sob a influência desse espirito fariseu que se avalia pelo que é e pelo que tem. Fico pensando se já EVOLUIMOS para LAODICÉIA (igreja do apocalipse), cuja caractesrística é a AUTO-SUFICIÊNCIA e independência de Seu Senhor.
E você o que acha?
O Senhor nos conceda graça e discernimento para sermos dÊle sempre e completamente.
Pastor Ismair. (prismair.50@hotmail.com)
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