segunda-feira, 31 de agosto de 2009

TALENTOSOS II

"..,a cada um segundo a sua capacidade"

Tanto se podia aproveitar Raquel da sua formosura, como Lia de sua deformidade; tanto Aquitofel do seu entendimento, como Nabal de sua rudeza; tanto Matuzalém dos seus novecentos anos, como o moço de Naim de seus vinte; tanto Julio Cesar da sua fortuna como Pompeu da sua desgraça; tanto Alexandre Magno das suas vitórias, como Dario e Poro de ele os ter vencido, tanto Arão da sua soltura e eloquencia da sua lingua, como Moises do impedimento da sua; tanto Pedro dos seus milagres, como o Batista de nunca os fazer.
Dai se segue que tanta conta há de pedir Deus ao rico de sua riqueza, como ao pobre de sua pobreza; tanto ao são da saúde, como ao doente de sua enfermidade; tanto ao honrado de sua estimação, como ao afrontado da sua injuria; e tanto a todos do que deu a uns, como do que negou a outros: porque, se o rico pode granjear com o seu talento, por meio da esmola, o pobre também pode com o seu, por meio da paciencia.
E assim os demais!
Quando o rei distribuiu os talentos aos criados, não lemos que algum deles se descontentasse da repartição. Se os que Deus deu a outros são maiores que os vossos, eles terão mais e vós menos de que conta ao mesmo Deus.

Abração!

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