quarta-feira, 2 de setembro de 2009

QUEM SOU EU? QUEM É VOCÊ?

"Quem és tu, Que dizes de ti mesmo?”

Quando iam saber de João Batista quem ele era, perguntaram-lhe: “vós quem sois, e vós quem dizeis que sois?”, e por que perguntam desta maneira? porque os homens, quando testemunham de si mesmos, uma coisa é o que são, a outra coisa é o que dizem que são.
Ninguém há neste mundo que se descreva com a sua definição, como realmente são: todos se enganam no gênero, e também nas diferenças. E o pior é que muitas vezes não somos coisas diferentes: porque o que somos é coisa nenhuma, e o que dizemos que somos são infinitas coisas.

Nesta matéria de “vós quem sois”, todo o homem mente duas vezes: uma vez mente-se a si, e outra vez mente-se a nós:. Mente-se a si porque sempre cuida mais do que é; e mente-nos a nós, porque sempre diz mais do que cuida.
Bem distinguiram logo os embaixadores a dificuldade da empreita; e quando iam perguntar ao Batista o que era, perguntaram o que era, e o que dizia que era, porque ninguém há tão reto juiz de si mesmo que, ou diga o que é, ou seja o que diz.
Cansados finalmente, os embaixadores de lhes responder o Batista que não era o Messias, nem Elias, nem profeta, pediram-lhe, finalmente, pois não acertavam a pergunta, que lhes dissesse ele quem era.
E o que vos parece que respondeu ele? “Eu sou uma voz que clama no deserto”.
Se os embaixadores tivessem perguntado ao Batista o que fazia, então estava bem respondida com “voz que clamava no deserto”, porque o que o Batista FAZIA no deserto era dar vozes e clamar; mas, se os embaixadores perguntaram QUEM ERA porque lhes respondeu ele o que fazia?
Respondeu discretissimamente. Quando lhes perguntaram quem era, respondeu o que fazia, porque cada um é o que faz, e não outra coisa.
As coisas definem-se pela essência: o Batista definiu-se pelas ações, porque as ações de cada um são sua essência. Definiu-se pelo que fazia, para declarar o que era.

Dá para fazermos o mesmo?
Abração.

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