Os sete segredos do Corinthians
Existe um título virtual, o de “melhor time do Brasil”, que é dado por uma espécie de consenso que envolve imprensa e torcedores. Até uma semana atrás, o Internacional tinha este título. Tinha. Agora, depois desta final de Copa do Brasil, ele é todo do Sport Club Corinthians Paulista.
Mas qual o segredo, ou os segredos, do Corinthians?
Imitando aqueles livros picaretas de auto-ajuda, escolhi sete. Sete segredos que todo mundo já sabe, mas que vale a pena lembrar.
Pré-temporada: O time fez de sua participação na Série B uma grande pré-temporada. É claro que tinha a obrigação de vencer, mas, mesmo assim, teve tempo e calma para ir montando seu time, ensaiar caminhos de ataque, sedimentar sua defesa, azeitar todas as peças, etc... E assim, os que chegaram depois, como Jorge Henrique e Ronaldo, encaixaram-se com facilidade, como se fossem as últimas peças de um quebra-cabeça.
Mano: Nas quatro últimas temporadas, Muricy Ramalho foi o melhor técnico do país. Este ano, não acredito que alguém tire o título de Mano Menezes. No começo de seu trabalho no time, ele era tachado de retranqueiro. Mas explicou-se bem. Disse que o elenco era modesto e que por isso deveria jogar com modéstia. Hoje, com o grupo melhorado, o Corinthians é um time equilibrado, que ataca bem e defende muito bem. Seu esquema de 4-5-1, com Dentinho e Jorge Henrique fazendo as vezes de meias ou atacantes, dependendo do momento, está longe de ser retranqueiro.
Elenco: Em todo time há um cara ruim, um jogador de quem a torcida desconfia ou até quer a cabeça. Entre os onze do Corinthians não há este indesejado. Em todas as posições o time mostra-se bem servido. O goleiro é comprovadamente bom, os laterais defendem e atacam bem, o miolo de zaga é sério e raramente comete bobagens, os volantes marcam e sabem jogar, Douglas teve apagões mas recuperou-se, Dentinho e Jorge Henrique são excelentes em suas funções de meiantes, uma mistura de meias com atacantes, e ainda há Ronaldo, que consegue fazer coisas imprevisíveis e desmontar esquemas defensivos. De quebra, o time ainda tem um bom banco de reservas.
Ápice: Um fato interessante é que vários jogadores corintianos estão no ápice de suas carreiras. Felipe nunca esteve melhor. Chicão tornou-se até um artilheiro. William nunca foi tão confiável. Alessandro está mais maduro e eficiente do que nunca (no Santos era instável, alternando boas jogadas com bobagens tremendas), de André Santos nem preciso falar nada, que ele se tornou o titular da seleção, os dois volantes, antes desconhecidos, hoje são sinônimo de eficiência, e Jorge Henrique, que já era bom no Botafogo, tornou-se um jogador completo, que marca e dribla. Todos estes atletas estão em seu ápice, em seu melhor momento, e é muito raro que tantos jogadores desabrochem ao mesmo tempo numa mesma equipe.
Armantes: Cristian e Elias talvez sejam os menos badalados jogadores do time, mas são fundamentais. Me parecem uma mistura de volantes com armadores. Muitos adversários pensam que Douglas é o grande criador de jogadas, mas grande parte do tempo ele atrai a marcação para que os dois armantes comecem os ataques. E, às vezes, até vão ao ataque e marcam seus gols, como Cristian no jogo contra o São Paulo.
Frieza: Ao contrário de outras formações do Corinthians, que se inflamavam com a torcida e faziam de uma raça ensandecida sua melhor arma, o atual time do Corinthians é frio. Joga sempre igual, em casa ou fora. Ontem, por exemplo, mesmo no Beira-Rio, entrou com a formação padrão e jogou como sempre, sem se intimidar. Não se encolheu na defesa nem foi acuado pelo Inter. Por outro lado, na final do Paulista contra o Santos, no Pacaembu, não se atirou ao ataque. Não se trata de um time adolescente, que muda de humor de uma hora para outra. O Corinthians é frio e maduro. Um James Bond.
Dualib: E o sétimo segredo corintiano é Dualib. Derrubá-lo foi o primeiro passo para a construção desse Corinthians.
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